terça-feira, 19 de setembro de 2017

Apogeu e queda do Resegue de Bariri





A história da Indústria Resegue de Óleos Vegetais marcou a vida de Bariri economicamente, na política e no esporte. Ao longo dos anos o município chegou a ter quatro equipes que disputaram campeonatos de futebol profissional, mas o pioneiro foi o Resegue, espécie de clube-empresa, que sucumbiu depois que a empresa entrou em crise financeira. O aposentado e ex-meia esquerda José Gari Borges, de 76 anos, guarda com carinho uma réplica da camisa verde com a gola amarela do clube que disputou a terceira divisão equivalente à quarta divisão, a Série B nos anos de 1964, 1965 e 1966. O prédio já foi vendido. Só restou a história dos tempos áureos da fábrica que teve uma influência forte na economia da cidade. José Jorge Resegue, que empresta o nome ao atual estádio municipal, foi prefeito de Bariri em 1962 e no pleito do mesmo ano se elegeu deputado federal por São Paulo na legenda da coligação formada pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) com Partido Socialista Brasileiro (PSB). Após o golpe que depôs o presidente João Goulart em abril de 1964, Jorge Resegue filiou-se na Arena. No pleito de novembro de 1970, novamente candidato, ele alcançou uma suplência, deixando a Câmara em janeiro de 1971, ao final da legislatura. De acordo com dados da Câmara Federal, o empresário morreu em 8 de abril de 1992. 
Gari teve passagem nas categorias de base do Palmeiras em 1959, quando ainda tinha 17 anos. Após participar de algumas competições no antigo Parque Antártica, voltou para Bariri para se alistar no serviço militar, quando foi trabalhar na indústria de óleo Resegue. A idade dele também já tinha "estourado", seria difícil emplacar nas categorias inferiores.
Os proprietários da fábrica tinham pretensões políticas e o futebol era usado como propaganda de campanha. O empresário Jorge Resegue nesse período era prefeito de Bariri e o irmão dele, Semi Jorge Resegue, tinha pretensões de se candidatar a deputado estadual. O time de futebol da fábrica de óleo era muito requisitado para participar de jogos amistosos, lembra Gari.
Na campanha havia uma Kombi que era levada até os locais onde projetava filmes de 35 mm, com logotipo na lataria do óleo Mindol, doava-se jogos de camisa e até alambrado. "Quando o estádio da cidade não tinha alambrado, a Resegue fazia a doação, porque a fábrica tinha uma máquina de confecção de alambrado", relembra.
Isso ajudou a alavancar a eleição da dobradinha dos deputados estadual e federal Jorge e Semi Resegue e também o time de futebol, que venceu campeonatos amadores da Liga Jauense. Isso vai favorecer que seja construído por Jorge Resegue um estádio com arquibancada e toda estrutura. O existente na época não tinha arquibancada e nem muros, só servia para jogos amadores.
Em 1964, a equipe dirigida por Ezakdevar Hespanhol e Milton Carmo Ferro decide filiar a equipe na Federação Paulista de Futebol (FPF) e disputar a Terceira Divisão. 
Gari conta que Pádua foi o treinador e alguns dos primeiros jogadores do esquadrão profissional era Nando, Djalma, Índio e Fernando Malavolta. Vieram reforços como Limbuxa (do Noroeste), Martins e Renato do América de Rio Preto, Gerolino da Portuguesa Santista, entre outros.
O primeiro ano do Resegue no Campeonato Paulista da Terceira Divisão foi em 1964 quando conseguiu ficar na liderança da chave na primeira fase no grupo formado por equipes de Miguelópolis, Guaíra, Santa Rita do Passa Quatro, Comercial de Arthur Nogueira. O time campeão que subiu de divisão foi o E.C. São José.
Borges conta que, no jogo contra o Comercial realizado em Bariri, estava 0 a 0, debaixo de muita chuva. O campo não tinha drenagem boa. "A bola não tinha jeito de rolar no gramado, a alternativa era lançar a bola pelo alto. Como eu tinha bom controle, tentava controlar e fazer lançamentos pelo alto. Numa dessas jogadas saiu o gol: vencemos por 1 a 0", relembra.
No ano de 1965, já com a fama de "Bicho Papão" da região, o Resegue fez um bom campeonato na primeira fase ao ser o primeiro da chave tendo como adversários o São José, Usina Barra Grande de Lençóis Paulista, Comercial de Arthur Nogueira, Pirelli de São Bernardo dos Campos e Palmeirinha de Santa Bárbara do Oeste. Andradina é quem faturou o título da competição.
No ano de 1966, a competição teve 78 equipes, a equipe baririense já não fez boa campanha. Entre os adversários da região estavam o Pirajuí A.C., Marília, E.C. Municipal de Vera Cruz, Oeste de Itápolis, entre outros. No ano seguinte abandonou o futebol, a empresa que mantinha o clube estava dandos os primeiros sinais de crise financeira.
A indústria começa a enferntar dificuldades econômcias e desiste do futebol profissional. A Resegue vai ter a falência decretada em 1989.





segunda-feira, 27 de março de 2017

Duartina teve o 'goleiro voador'

A fama foi adquirida pela sua elasticidade ao defender as bolas deferidas dos atacantes contra a sua meta. Daí o apelido inusitado: o "goleiro voador". Mesmo franzino não impediu de Toninho Lozano ser um dos destaques do Duartina Futebol Clube. O Leão da Alta Paulista como ficou conhecido o time duartinense que disputou por seis anos aos divisões profissionais no final da década de 50 e um retorno relâmpago em 1977. A melhor campanha, a de 1956, o tricolor enfrentou a Santacruzense em um jogo que valia vaga para disputar a final contra o Ituano, mas o Leão foi derrotado por 2 a 0 em partida realizada no Pacaembu, com o gramado em péssimas condições. Nesse jogo, Toninho foi convidado para ir para o Santos que já tinha contratado um grande craque: Pelé do Bauru Atlético Clube (BAC).
Aos 86 anos, Toninho Lozano jura que não se arrepende de não ter aceitado o convite. Moradores de Duartina garantem que se ele tivesse seguido carreira no Peixe seria um grande goleiro. No jogo de 29 de maio de 1956, Lozano foi o melhor jogador em campo. "Foi uma partida difícil. Choveu muito e o gramado estava ruim. A bola de capotão ficava pesada demais. Naquele tempo, a gente jogava sem luvas", conta Lozano, com 86 anos, ao relembrar o jogo "antológico" para o Leão da Alta Paulista.
À época, o deputado Atiê Jorge Cury, presidente do Santos, ficou espantado ao ver a atuação de Lozano. "Ele ficou bobo de ver eu jogar com aquele tamanhinho. Ele perguntou para o jogador Afrolfrites: esse goleiro joga desse jeito sempre? Eu não tinha luva e nem treinador de goleiro. E nunca me senti pequeno no gol, mas não quis seguir carreira. Vou falar a verdade nem dei bola para o convite, já estava no final da carreira aos 28 anos", ressaltou.
Num recorte do jornal "A Gazeta Esportiva" é citado que "o espetáculo deixou a desejar, porque as duas equipes não puderam locomover-se com facilidade, aliás o jogo deveria ter sido suspenso, porque as chuvas tornaram quase impraticável o campo da municipalidade". Os gols foram aos 43 minutos de cada período, o primeiro de Boquinha e o segundo de Moreira, de pênalti.
A partida marcou a decisão de vaga para a final da Terceira Divisão. O Duartina tinha empatado 2 a 2 com a Santacruzense no jogo em casa, mas a equipe adversária perdeu o jogo seguinte para o Pirajuí, que foi derrotado pelo Leão da Paulista por 3 a 2. Assim os dois times ficaram empatados e teve a decisão em campo neutro, no Estádio do Pacaembu, em São Paulo.
O próprio Lozano admite a superioridade do adversário que reforçou a equipe com Lelé, famoso jogador do Vasco que atuou na Seleção Brasileira e estava em final de carreira no tricolor de Santa Cruz do Rio Pardo. Nos jornais da época relatam Lelé como "grande armador", mas "estava um pouco gordo". O Duartina F.C. derrotado naquela ocasião jogou com Toninho Lozano; Hélio, Xandu, Fernando, Paulo Roberto e Zulu; Dedé Mirtola e Afrolfrites, Julinho e Valdemar. A Santacruzense: Elcio; Vilas-Boas, Tatinho, Pessinato, Moreira e Osmar; Meia Lua, Mendonça, Boquinha, Lelé e Jerônimo.
Lozano revela que o time não tinha estrutura para disputar o futebol profissional. "Tinha que trabalhar numa mercearia e no final da tarde ir a pé até o campo treinar. A gente nem tinha bola suficiente para treinar". Ele se aposentou como servidor público estadual na Escola Benedito Gebara de Bauru.

sábado, 16 de abril de 2016

Agudos só disputou um campeonato profissional

A fama do Agudos Futebol Clube ficou pelo bom desempenho em campeonatos amadores no início do século passado. Esse clube que o escudo é parecido com a Ferroviária de Araraquara só disputou um campeonato profissional da terceira divisão de 1958.
Nos registros históricos o Agudos tem data de fundação em 1 de janeiro de 1911. Antes da criação da Divisão Intermediária que vai marcar a profissionalização do futebol no Interior de São Paulo, o Agudos teve uma participação no Campeonato Amador do Interior, vencido pelo Luzitana FC que posteriormente passaria a ter o nome de Bauru Atlético Clube (BAC), onde o craque Pelé iniciou a sua carreira. Nessa competição também participou o Noroeste de Bauru e a Associação Atlética de Pederneiras. A rivalidade entre essas cidades era grande.

A maior façanha do Agudos é um vice-campeonato amador de 1953, mas sempre um adversário difícil para os times de Bauru.  

terça-feira, 5 de abril de 2016

BAC foi onde Pelé começou a jogar

O Bauru Atlético Clube (BAC) ostenta em suas memórias como a equipe onde o maior jogador do mundo iniciou sua carreira: o famoso Pelé. Mas nas fileiras do azul e branco também atuou o Dondinho, pai de Edson Arantes do Nascimento, e também craque dos bons que só não foi tão famoso como o filho por causa de uma contusão que o obrigou a encerrar a carreira cedo. Quem conta toda essa história é o jornalista de Bauru Luciano Dias Pires, 89 anos, memorialista, que viu Pelé jogar no início da carreira.
O BAC extinguiu o departamento de futebol profissional no final da década de 70. O que restou é a sede do clube de campo na rodovia Bauru-Marília com poucos sócios. O terreno do estádio e o complexo esportivo foi vendido ao supermercado Tauste.
Até 1946 o nome do clube era Luzitana F.C., fundado pela colônia portuguesa. Por influência do prefeito Nicola Avallone Jr. o clube mudou o nome para Bauru Atlético Clube em 1º agosto de 1946, ano do cinquentenário da cidade de Bauru e também quando o azul e branco foi o campeão amador do interior do Estado de São Paulo - nessa fase ainda não tinha a Lei de Acesso.
O azul e branco rivalizou com o Noroeste e disputou a segunda divisão paulista em 1948, 1949, 1950, 1951, 1952, 1953 e 1954, Depois ficou oito anos afastado do profissionalismo e retornou à terceira divisão em 1963 e permaneceu até 1968. Fundado com o nome de Luzitana Futebol Clube, Luciano conta que a melhor fase do baquinho foi no amador. "Foram seis títulos de campeão amador de Bauru se igualando ao mesmo número de títulos do Noroeste nas competições da Liga Bauruense de Futebol entre 1931 e 1947. Os outros vencedores foram o Guedes Azevedo e o Smart", relembra.
E quando se defrontava Noroeste e BAC a rivalidade era comparável a um clássico Palmeiras x Corinthians.
O pai de Pelé veio para Bauru em 1940 com a promessa de emprego na cidade e ao mesmo tempo para jogar futebol no azul e branco.  A profissionalização futebolísitica vai ocorrer a partir de 1947 com a criação da divisão de acesso no Interior paulista. "Dondinho foi um ótimo jogador. Ele teve um problema no joelho resultado de uma contusão que acompanhou toda a sua carreira", cita o memorialista, que participou na elaboração de uma publicação internacional que conta a história de Pelé.
O rei Pelé ainda menino jogou no juvenil do BAC em 1953. Segundo Luciano, o rei chegou a treinar no Noroeste, mas sem assinar contrato. "O Pelé treinava com os titulares, jogou três amistosos com a camisa vermelha, mas nesta época é quando ele será contratado pelo Santos, levado pelo Waldemar de Britto que treinou o BAC", conta Luciano.
O azul e branco teve em 1958 como treinador o famoso Domingos da Guia, mas o clube não teve a mesma estrutura que o rival Noroeste, mantido na época pela Estrada de Ferro Noroeste do Brasil. Naquela época o futebol profissional dava os primeiros passou e o jogador precisava ter um emprego e não vivia exclusivo do esporte. "Os jogadores trabalhavam na ferrovia e treinava fora do horário de serviço no Noroeste", conta Luciano.
Pelé começou no juvenil do Bauru Atlético Clube (Foto: acervo BAC/Divulgação)
Dondinho, pai de Pelé, jogador do Atlético Mineiro (Foto: Divulgação)
Dondinho, Pelé, sua mãe e irmã quando moravam em Bauru (Foto: acervo BAC)
Jornalista Luciano Dias Pires viu Pelé jogar em Bauru (Foto: Jornal da Cidade de Bauru)

terça-feira, 29 de março de 2016

Ex-atacante jogou contra Santos de Pelé

Na parede do salão havia duas fotos, uma do Corinthians de Presidente Prudente e do Clube Atlético Ourinhense (CAO). Os dois times nem mais disputam o futebol profissional. Quem passava pela avenida Altino Arantes no cruzamento da Monsenhor Cordova, em Ourinhos, nem desconfiava que o barbeiro João Alberto de Carvalho foi boleiro dos bons. É conhecido por Robertinho, inclusive o salão levou o mesmo nome, batizado nas quatro linhas. O estabelecimento não existe mais e foi fechado.
A carreira futebolística de Robertinho começou em Avaré no antigo São Paulo, depois passou pela Ipauçuense, Cambaraense, Clube Atlético Ourinhense, Corinthians de Presidente Prudente, entre outros clubes interioranos.
No Paraná foi campeão do centenário pela Cambaraense, no São Paulo de Avaré ergueu a taça do quadrangular oeste da série B (divisão de acesso) e o título, de 1959, que garantiu a primeira divisão ao antigo Corinthians de Prudente e direito a enfrentar os times grandes da capital.
A memória de Ricardinho já não é tão boa. Ele tem dificuldades de lembrar de suas participações no Ourinhense, o vermelhinho que, inclusive, tinha o estádio da baixada. O clube na atualidade enfrenta grave crise financeira e está ameaçado de perder a sede social devido a dívidas previdenciárias e trabalhistas.
O Corinthians de Presidente Prudente nem existe mais. Robertinho lembra de Décio Mendonça, outro grande jogador da Esportiva Santacruzense, que brilhou na Prudentina, rival do alvinegro mosqueteiro. “Na verdade quem ia para a Prudentina no lugar do Décio era eu, mas a contratação não deu certo”, lembra Robertinho. Sobre Décio Mendonça, o ex-boleiro diz que era “um jogador completo, forte, inteligente e bom armador”.
Robertinho veio de Avaré para Ourinhos, a convite do irmão Oscar, que jogava no Operário. Naquela época, a paixão futebolística dividia a cidade em dois times: para baixo da estação o alvinegro Operário e, para cima, o Ourinhense, conhecido por “vermelhinho” por causa do uniforme.
Os dois clubes se degladiaram na fase amadora e tiveram curta temporada no futebol profissional.
O Clube Atlético Ourinhense disputou seis temporadas pela antiga 3ª divisão, entre 1961 a 1966, além de participação na segunda divisão em 1952. O maior rival da cidade, o Operário, disputou em 1954 e 1958 a terceira divisão profissional. O vermelhinho foi fundado em 5 de junho de 1919. Em 1967 se inscreveu para disputar a 3ª divisão, mas desistiu. Na época o CAO era rival à altura da Santacruzense e do Piraju, ambos campeões da terceira divisão.
Robertinho não se esquece que o Corinthians enfrentou o time de Pelé. “O rei jogava muita bola. Ela fazia uma jogada de efeito, chutando no pé do adversário e completando a jogada. Fez isso no zagueiro Cotia”, lembra o ex-atacante do vermelhinho.
O pai de Pelé, Dondinho, também foi um jogador até bom para os padrões da época. Ricardinho não esquece que chegou a jogar contra Dondinho.
Na carteira amarelada, escrita a bico de pena do Sindicato dos Atletas de Futebol Profissional, consta os contratos de Robertinho por vários clubes do interior paulista.
A fase áurea foi no Corinthians, time que goleou o Bragantinho por 4 a 1 e ganhou o acesso à divisão especial em 8 de março de 1960. O título valia pelo ano de 1959 e garantiu acesso à divisão especial.
Durou um ano de temporada entre os grandes, o alvinegro não fez uma grande campanha, terminando em 17º colocado e voltando depois à segunda divisão. O alvinegro mosqueteiro disputou a divisão de acesso desde 1948. Parou em 1975 e deu lugar ao Presidente Prudente, ainda voltou em 1976 até parar as atividades. Atualmente, em Presidente Prudente, o time que disputa a Série B (quarta divisão) leva nome da cidade.
Pelo acervo de fotos, Robertinho era ídolo em Presidente Prudente. A sua passagem pelo Ourinhense é pouco documentada em fotos. “Naquela época não tinha tanta facilidade para tirar fotografia”, justifica.
A profissão de barbeiro foi uma atividade que Robertinho acumulou junto com o mundo do futebol. “Essa cadeira e esses móveis eu ganhei com o pagamento de luvas do tempo do Ourinhense”.
Após a aposentadoria, Ricardo confessa que não gosta mais de assistir jogos de futebol. Prefere viver só da recordação. A sua trajetória está guardada num acervo de fotos preto em branco, embrulhada com jornal e anexada com recortes da antiga Gazeta Esportiva, Diário da Noite e jornais de Presidente Prudente e Ourinhos.
Ricardinho teve salão de barbeiro em Ourinhos. (Foto: Jornal Debate)




Assis tem dois time na quarta divisão


A cidade de Assis tem duas equipes na 4ª divisão do futebol paulista: Vocem e Assisense. O pioneiro no município foi a Associação Atlética Ferroviária de Assis, fundada por funcionários da Estrada de Ferro Sorocabana em 1 de maio de 1927, que ingressou na segunda divisão em 1949. A equipe atuou na divisão de acesso de 1949 a 1952, quando foi rebaixada por causa da população da cidade.
Segundo o Almanaque do Futebol, em 1953 a FPF criou uma determinação que exigia um mínimo de 50 mil pessoas na cidade para que um time disputasse a 2ª divisão. Várias equipes do interior acabaram sumariamente rebaixadas.
A Ferroviária ainda disputou em 1944, 1946 e 1947 a terceira divisão. Conseguiu o acesso à segunda divisão em 1958 e permaneceu até 1959, mas em 1960 é rebaixada à 3ª divisão e permanece até 1967 e se afasta da competição de 1968 até 1975. Ainda conseguiria disputar a terceira divisão em 1976, mas depois suspendeu novamente as atividades.
O São Paulo de Assis Futebol Clube também tentou ser representante da cidade na divisão de acesso. O tricolor disputou a terceirona em 1962, 1963 e 1964, suspendeu as atividades e voltou disputou em 1980 até parar em definitivo.

A Vila Operária Clube Esporte Mariano (Vocem) foi fundado a 21 de julho de 1954, mas a partir de 1978 disputou a 5ª divisão do futebol profissional. A melhor campanha foi na divisão de acesso de 1984, quando chegou ao quadrangular final da divisão de acesso.
Com um time forte, orientado pelo técnico Valter Zaparolli, chegou muito próximo da elite do futebol paulista. Naquele ano, pelo quadrangular final da competição, enfrentou uma das duas vagas ao Paulistão de 1985 contra Paulista de Jundiaí, Noroeste de Bauru e União Barbarense, mas terminou como 4º colocado.
De 1972 a 1989 o esquadrão grená conseguiu permaneceu na segunda divisão, depois suspendeu as atividades em 1990 e 1991 e retornou a 3ª divisão em 1992 e 1993 e caiu para a 4ª divisão em 1994. Ficou mais quatro anos afastado e disputou a 5ª divisão em 1999.
Em 2014, após 12 anos de ausência, o Vocem retornou ao profissionalismo para a disputa da quarta divisão, mas conta com um rival na cidade: a Assisense.
Uma curiosidade na fundação do Vocem é a origem bastante inusitada. O time foi fundado pelo padre Aloísio Bellini,.pároco da tradicional Vila Operária. O objetivo do clérigo foi de incentivar os jovens da época a seguir os caminhos da igreja. Surgia assim, em 21 de julho de 1954, o “Marianinho”, importante agremiação do futebol amador que posteriormente daria origem ao Vocem (iniciais de Vila Operária Clube Esporte Mariano), conforme consta no histórico do clube divulgado na Wikipédia. "O branco e o bordô foram escolhidos como cores oficiais por representarem o pão e o vinho, ou seja, o corpo e o sangue de Cristo, ou resumindo, o vinho de missa e a hóstia da comunhão. Já o distintivo ganhou inscrições em latim com as frases 'Audite Vocem Domini' e “Non ducor duco”, que significam respectivamente 'Ouviste a voz do Senhor' e 'Não sou conduzido, conduzo'", relata no histórico do Vocem.
O rival na cidade é o Clube Atlético Assisense fundado em 27 de março de 1995, cujo mascote é o “Falcão do Vale”. Segundo o resumo do histórico fornecido pelo clube no site da FPF, a escolha do falcão se deve ao fato de esta ave ser forte, robusta. Para torcedores e dirigentes, ela tem o poder de transmitir aos jogadores características positivas. Aos poucos, a mascote caiu no gosto do torcedor. Naturalmente, acabou se fixando e se tornando popular. A designação “do Vale” se deve à localização da cidade, uma das mais importantes do Vale do Paranapanema.


Melhor campanha em 1982 quando Vocem foi campeão da intermediária (Acervo Lucas Coelho do site Assisnoticias.com)



segunda-feira, 28 de março de 2016

XV tenta se levantar na Série B2


O XV de Novembro, famoso "Galo da Comarca", voltou ao futebol profissional após um passado de glórias com grandes fases e períodos de queda de divisão. Afastado da Série B em 2015, com uma dívida contabilizada de cerca de R$ 8,3 milhões, o time disputou a quarta divisão (Série B) em 2016, mas não conseguiu o acesso à Serie A-3. Os números da dívida foram divulgados em 2015. A diretoria decidiu agir com transparência absoluta ao mostrar as planilhas de quanto o clube deve. O levantamento é a realidade do futebol brasileiro muitas vezes escondidas de seus torcedores.
No total, são mais de R$ 8,3 milhões referentes a dívidas judicializadas - processos trabalhistas, cíveis, fazendários, impostos devidos - como Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), taxas junto a federações e entidades Federação Paulista de Futebol (FPF) e Confederação Brasileira de Futebol (CBF), contas não pagas de gestões desde 2012 e até empréstimos de ex-presidentes.
Fundado em 15 de novembro de 1924, o XV de Jaú frequentou a elite do Campeonato Paulista por 26 vezes, a última em 1996. Dono do estádio Zezinho Magalhães, o XV de Jaú atuou de forma oficial pela última vez no dia 8 de junho de 2014, na derrota por 3 a 1 para o Taquaritinga, em sua despedida da quarta divisão daquele ano.
As cores de sua camisa são uma homenagem à Proclamação da República. As cores que o clube ostenta, verde e amarela, também fazem alusão às cores da Bandeira Brasileira.
De acordo com o site do clube, com a instituição da Lei do Acesso em 1948, o XV de Jaú chegou à elite do futebol paulista em 1951, após uma decisão contra o Linense no Pacaembu. Para chegar à 1ª divisão, a Federação Paulista instituiu uma disputa de melhor de três jogos entre o campeão da divisão de acesso e o último colocado da elite, no caso, o Jabaquara, de Santos. Se o XV de Jaú saísse vitorioso ao final da disputa, conquistaria o acesso. Venceu o primeiro por 5 x 1 em Jaú e perdeu o segundo jogo por 2 x 0 em Santos. O terceiro jogo aconteceu na cidade de Campinas, no estádio Moisés Lucarelli. O Galo da Comarca venceu por 1 a 0, gol de Guanxuma. O XV permaneceu na 1ª Divisão até 1959.
O Galo da Comarca começou a disputar a segunda divisão de 1948 a 1951, depois permaneceu por nove anos na primeira divisão até ser rebaixado para a segunda em 1960 até 1967.
O clube entrou em crise e ficou afastado de 1958 a 1964. Retorna em 1975 para a segundona, permanece em 76 e sobe para a primeirona no ano de 1977, onde permanece até 1993. Depois cai para a segundona em 1994 e permanece até 1995. O Galo da Comarca consegue a ascensão à primeira divisão em 1996, mas no ano seguinte sofre novo revés retornando a segundona e de 1996 a 2000 cai para a terceira divisão.
Nestes altos e baixos, em 2012 o time de Jaú foi rebaixado para a quarta divisão paulista. No ano de 2015 pediu um ano de licença para colocar a casa em dia e enxugar os gastos.
Na tarde de 22 de janeiro de 2016, o Esporte Clube XV de Novembro de Jaú sacramentou parceria após meses de negociações com a empresa UrbanizeMais, da cidade de Bauru. As negociações foram feitas através da diretoria do clube jauense com o empresário Fábio Martins. O ex-jogador Baroninho (ex-Palmeiras) foi o treinador da agremiação. 
 Estádio Zezinho Magalhães lotado em jogo de 1977 (Foto: Acervo do Site do XV de Jaú)
Veja uma entrevista com Baroninho no site do XV de Jaú.
https://www.youtube.com/watch?v=0HsPQb3vwl8&feature=youtu.be Entrevista com Baroninho