terça-feira, 29 de março de 2016

Ex-atacante jogou contra Santos de Pelé

Na parede do salão havia duas fotos, uma do Corinthians de Presidente Prudente e do Clube Atlético Ourinhense (CAO). Os dois times nem mais disputam o futebol profissional. Quem passava pela avenida Altino Arantes no cruzamento da Monsenhor Cordova, em Ourinhos, nem desconfiava que o barbeiro João Alberto de Carvalho foi boleiro dos bons. É conhecido por Robertinho, inclusive o salão levou o mesmo nome, batizado nas quatro linhas. O estabelecimento não existe mais e foi fechado.
A carreira futebolística de Robertinho começou em Avaré no antigo São Paulo, depois passou pela Ipauçuense, Cambaraense, Clube Atlético Ourinhense, Corinthians de Presidente Prudente, entre outros clubes interioranos.
No Paraná foi campeão do centenário pela Cambaraense, no São Paulo de Avaré ergueu a taça do quadrangular oeste da série B (divisão de acesso) e o título, de 1959, que garantiu a primeira divisão ao antigo Corinthians de Prudente e direito a enfrentar os times grandes da capital.
A memória de Ricardinho já não é tão boa. Ele tem dificuldades de lembrar de suas participações no Ourinhense, o vermelhinho que, inclusive, tinha o estádio da baixada. O clube na atualidade enfrenta grave crise financeira e está ameaçado de perder a sede social devido a dívidas previdenciárias e trabalhistas.
O Corinthians de Presidente Prudente nem existe mais. Robertinho lembra de Décio Mendonça, outro grande jogador da Esportiva Santacruzense, que brilhou na Prudentina, rival do alvinegro mosqueteiro. “Na verdade quem ia para a Prudentina no lugar do Décio era eu, mas a contratação não deu certo”, lembra Robertinho. Sobre Décio Mendonça, o ex-boleiro diz que era “um jogador completo, forte, inteligente e bom armador”.
Robertinho veio de Avaré para Ourinhos, a convite do irmão Oscar, que jogava no Operário. Naquela época, a paixão futebolística dividia a cidade em dois times: para baixo da estação o alvinegro Operário e, para cima, o Ourinhense, conhecido por “vermelhinho” por causa do uniforme.
Os dois clubes se degladiaram na fase amadora e tiveram curta temporada no futebol profissional.
O Clube Atlético Ourinhense disputou seis temporadas pela antiga 3ª divisão, entre 1961 a 1966, além de participação na segunda divisão em 1952. O maior rival da cidade, o Operário, disputou em 1954 e 1958 a terceira divisão profissional. O vermelhinho foi fundado em 5 de junho de 1919. Em 1967 se inscreveu para disputar a 3ª divisão, mas desistiu. Na época o CAO era rival à altura da Santacruzense e do Piraju, ambos campeões da terceira divisão.
Robertinho não se esquece que o Corinthians enfrentou o time de Pelé. “O rei jogava muita bola. Ela fazia uma jogada de efeito, chutando no pé do adversário e completando a jogada. Fez isso no zagueiro Cotia”, lembra o ex-atacante do vermelhinho.
O pai de Pelé, Dondinho, também foi um jogador até bom para os padrões da época. Ricardinho não esquece que chegou a jogar contra Dondinho.
Na carteira amarelada, escrita a bico de pena do Sindicato dos Atletas de Futebol Profissional, consta os contratos de Robertinho por vários clubes do interior paulista.
A fase áurea foi no Corinthians, time que goleou o Bragantinho por 4 a 1 e ganhou o acesso à divisão especial em 8 de março de 1960. O título valia pelo ano de 1959 e garantiu acesso à divisão especial.
Durou um ano de temporada entre os grandes, o alvinegro não fez uma grande campanha, terminando em 17º colocado e voltando depois à segunda divisão. O alvinegro mosqueteiro disputou a divisão de acesso desde 1948. Parou em 1975 e deu lugar ao Presidente Prudente, ainda voltou em 1976 até parar as atividades. Atualmente, em Presidente Prudente, o time que disputa a Série B (quarta divisão) leva nome da cidade.
Pelo acervo de fotos, Robertinho era ídolo em Presidente Prudente. A sua passagem pelo Ourinhense é pouco documentada em fotos. “Naquela época não tinha tanta facilidade para tirar fotografia”, justifica.
A profissão de barbeiro foi uma atividade que Robertinho acumulou junto com o mundo do futebol. “Essa cadeira e esses móveis eu ganhei com o pagamento de luvas do tempo do Ourinhense”.
Após a aposentadoria, Ricardo confessa que não gosta mais de assistir jogos de futebol. Prefere viver só da recordação. A sua trajetória está guardada num acervo de fotos preto em branco, embrulhada com jornal e anexada com recortes da antiga Gazeta Esportiva, Diário da Noite e jornais de Presidente Prudente e Ourinhos.
Ricardinho teve salão de barbeiro em Ourinhos. (Foto: Jornal Debate)




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