terça-feira, 22 de março de 2016

AABB teve ascensão meteórica


Sede da Associação Atlética Barra Bonita (Foto: Samantha Ciuffa/JC de Bauru)

Um calhamaço de papel com o resultado do jogo, data, autor do gol e nome do árbitro da partida resume os oito anos de campanha da Associação Atlética Barra Bonita (AABB) entre a terceira e quarta divisão do futebol paulista. Essa papelada é mostrada ao repórter pelo aposentado e ex-cartola do alvinegro barra-bonitense Osvaldo Parra como a prova dos confrontos entre clubes tradicionais, dos quais Noroeste de Bauru, Sãomanoelense, Lençoense, etc. “O time de Bauru era rival pela proximidade entre as cidades. Teve um jogo que terminou em confusão. O Norusca venceu por 3 a 2 e o último gol a bola não entrou, mas foi validado pelo árbitro para desgosto da torcida”, recorda Parra, 76 anos, ex-vereador e servidor aposentado da prefeitura de Barra Bonita. A partida foi no dia 22 de maio de 1983.
O alvinegro enfrentou oito vezes o Noroeste nas competições de 83 e 84. A AABB surpreendeu, em 4 de setembro de 83, em Bauru, quando bateu o Norusca por 1 a 0 pelo 1º turno pela 3ª divisão. A competição nessa época contou com 51 equipes divididas em quatro grupos de 13. Depois os dois empataram por 2 a 2 em 28 de setembro e 1 a 1 em 5 de outubro. No ano seguinte, em 1 de abril, o Barra Bonita venceu por 2 a 0 o alvirrubro em casa, depois o alvinegro  perdeu por 2 a 0  quando veio ao estádio Alfredo de Castilho em 6 de maio daquele ano, mas a AABB empatou  por 1 a 1 novamente jogando em casa contra o time de Bauru no confronto do 2º turno, porém ela tomou uma goleada de 5 a 0 na Cidade Sem Limites pela terceira fase da Série F no dia 22 de outubro de 1984, praticamente a última vez que as duas equipes se cruzaram nas quatro linhas. 
Fundada em 1923, a AABB entrou no profissionalismo em 1977 para dar uma resposta ao rival, o Botafogo da mesma cidade, campeão amador do Estado um ano antes, conforme revela o radialista José Antonio Bolla. No primeiro ano disputou na divisão composta de 45 clubes divididos em cinco séries com nove equipes. O alvinegro estreou com uma vitória de 2 a 1 contra o Municipal de Bariri e terminou a competição em 4º lugar.

O maior trunfo do alvinegro barra-bonitense é o título de 1982 numa vitória em cima do José Bonifácio por 4 a 3, em Araraquara, no último jogo do quadrangular final que reuniu União Funilense de Cosmópolis e Palmeirinha de Porto Ferreira. Dois anos depois da façanha, o time da “Cidade Simpatia” se despedia do profissionalismo ao perder de 2 a 0 do Jaboticabal em jogo em 24 de outubro e daí em diante a AABB se dedica somente a manter a parte social do clube com salão de baile e quadra.
A equipe formada pelo Barra Bonita que levantou a taça foi comandada pelo técnico José Galli, ex-Botafogo de Ribeirão Preto e Portuguesa de Desportos. Parra conta que ia buscar jogadores em bailes porque fugiam da concentração em vésperas de jogos importantes.  Fora a rivalidade com o Botafogo, o interesse dos ex-prefeitos José Kielse dos Santos e Clodoaldo Antonângelo, o Tatinha,  pelo futebol incentivou o alvinegro nas divisões profissionais.   
Fora das quatro linhas, além da pressão da torcida em cima do bandeirinha próximo ao alambrado, tem as figuras folclóricas que divertiam o espetáculo de forma espontânea. Na Barra Bonita, o gari carismático Paulo Roberto Siqueira, o “Paul Girls” frequentava o campo com uma capa e chapéu preto. “Diziam que ele era macumbeiro, porque sempre que jogava AABB e Noroeste, era difícil o time de Bauru ganhar. Chegaram até a pedir emprestado o mascote para melhorar a sorte do time bauruense”, conta, rindo, Osvaldo Parra, ex-cartola da equipe barra-bonitense.
O mascote ainda seria vereador por um mandato na cidade, em 2003, pelo PV, sendo o mais votado com 1.360 votos. 



Galeria de troféus existente na sede da AABB (Foto: Samantha Ciuffa/Jornal da Cidade de Bauru)

Time de 1980 da Associação Atlético Barra Bonita que disputou a 3ª Divisão (Foto: Reprodução/AABB)

Ex-presidente da AABB, Osvaldo Parra, conta passado de glória da equipe (Foto: Samantha Ciuffa/Jornal da Cidade de Bauru

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