Peres é filho de ferroviário da antiga Companhia Paulista e residiu em Garça. Ele começou jogando em time amador e depois ingressou no Garça, a partir de 1968 até ser titular no time principal. O título máximo garcense é o de 1969 na segunda divisão com Waldir Peres como titular. No ano seguinte ele foi para a Ponte Preta e 12 meses depois foi transferido para o São Paulo.
Quem relata a trajetória do Azulão da Alta Paulista é Wanderley Marcos Cassolla, o Tico, funcionário de carreira do INSS e ex-centroavante da equipe entre 1976 e 1977. Ele coleciona fotos antigas de várias fases do clube.
O Garça é resultado da fusão com o Bandeirantes, que disputou a Terceira Divisão, em 1956 e 1958, e é um clube extinto. Mas ao longo da trajetória o Garça trocou o nome para Garça Esporte Clube quando ingressou na segunda divisão em 1950, depois voltou a denominação Garça Futebol Clube. A fase profissional mais próspero é o Garça refundado em 15 de fevereiro de 1965.
O único título da história do Garça: campeão da terceira divisão no ano de 1969. A fase final foi no sistema de jogos de ida e volta contra Rio Branco de Ibitinga, Rio Claro e Garça.
Segundo Cassolla, o Garça superou todos os adversários. O confronto decisivo foi contra Rio Claro com o Garça vencendo por 3 a 1. Só que a Federação Paulista se viu diante de um novo “imbróglio”, quando o Rio Branco entrou com recurso e “melou” o campeonato. Depois de muitas “idas e vindas” o Garça teve que enfrentar o Rio Branco, num único jogo em campo neutro: no Estádio Alfredo de Castilho, em Bauru, no dia 18 de janeiro de 1970. O Garça venceu numa partida dramática por 1 a 0, gol do atacante Rogerinho, aos 36 minutos da etapa final.
As equipes que participaram da Segunda Divisão em 1969: AA Mercedes-Benz de São Bernardo dos Campos, AA São Bento de Marília, AA Sãomanoelense de São Manuel, AE Santacruzense de Santa Cruz do Rio Pardo, Amparo AC, Aparecida EC de Aparecida do Norte, CA Nevense (Neves Paulista), CA Penapolense de Penápolis, CA Pirassununguense de Pirassununga, Derac de Itapetininga, EC Lemense de Leme, EC Municipal de Paraguaçu Paulista, EC Rio Branco de Ibitinga, Estrela EC de Piquete, Garça FC de Garça, Guarani FC de Adamantina, Olímpia FC, Palmital AC, Rio Claro FC, Santa Fé e Tupã FC.
Fase Final
28 de outubro de 1969
Garça 3 x 0 Rio Branco de Ibitinga
11 de outubro de 1969
Rio Claro 1 x 2 Garça
18 de novembro de 1969
Rio Branco 2 x 1 Garça
2 de dezembro
Garça 3 x 1 Rio Claro
O Rio Branco de Ibitinga não concordou com o regulamento da competição e a Federação Paulista de Futebol (FPF) marcou um jogo final em Bauru no dia 18 de janeiro de 1970, quando o Garça ganhou de 1 a 0 do Rio Branco de Ibitinga.
Dados são do livro "Trajetória do Futebol Profissional do Garça 1950 a 2004" de autoria de Luiz Maurício Teck de Barros
O Azulão da Alta Paulista parou por problemas financeiros no final de 2004, depois de um vice-campeonato na Série B1.

Em pé: Plínio Dias, Ari Lima, Tuta, Waldir Perez, Pedroso e Dadi; agachados: Toninho Bodini, Rogerinho, Zé Carlos Coelho, Osmar Silvestre e Davi. (Foto cedida do arquivo de Wanderley Tico Marcos Cassola)

Estádio Frederico Platzeck (Foto cedida do arquivo de Wanderley Tico Marcos Cassola)

Time do Garça vice-campeã da Série A-3 de 2000. Em pé da esq. para a direita: Marcelo (mordomo), Luciano. Erasmo, Júlio Cézar, Beto, Daniel e Júlio César (preparador físico). Agachados: Celsinho, Mauro César, Vital, Chokito, Webster e Santos.
Livro conta a
trajetória do Garça
O Garça Futebol Clube
foi um dos clubes mais atuantes nas divisões intermediárias do
futebol paulista com um título da segundona de 1969 em final
realizada em Bauru, no estádio Alfredo de Castilho quando bateu o
Rio Branco de Ibitinga por 1 a 0. O goleiro Valdir Peres foi revelado
neste clube, antes de ser ídolo no São Paulo e na Seleção
Brasileira. O livro "Trajetória do Futebol Profissional do
Garça: 1950 a 2004" do professor Luiz Maurício Teck de Barros
é uma pesquisa histórica sobre os 41 campeonatos paulistas
disputadas pelas duas equipes do município de Garça no
profissionalismo.
O clube foi fundado em
1932 como o nome de Garça Futebol Clube, mas em 1942 se uniu ao
Bandeirantes Futebol Clube dando origem ao Clube Atlético Brasil. Um
ano depois houve nova mudança, quando a equipe passou a chamar Garça
Esporte Clube. No ano de 1965, segundo o Almanaque do Futebol
Paulista de 2001, o clube adotou a denominação Garça Futebol
Clube.
Barros conta na
publicação que, em 1928, o clube chamava-se Comercial Futebol
Clube. O primeiro campo era localizado no patrimônio de
Labienópolis, mas os vizinhos exigiram o despejo. A agremiação
teve que se transferir para a Vila Vicentina, onde ficou até 1932,
depois no ano seguinte consegue criar o estádio Willians.
A novidade no livro são
estatísticas inéditas do Garça contra 201 adversários. Barros
pesquisou em jornais do próprio município para compor os
resultados, gols marcados, gols sofridos, os maiores artilheiros, as
maiores goleadas conquistadas e sofridas.
Há o time do Garça de
todos os tempos na opinião da torcida, a carreira do goleiro Valdir
Peres no Azulão e biografias como a do capitão Plínio Dias.
O professor contou ao
JC que existe uma dificuldade para conseguir dados. A Federação
Paulista de Futebol (FPF), por exemplo, não libera as estatísticas
das competições e nem disponibiliza todos os resultados em seu
site.
Barros é professor de
sociologia e geografia da Etec"Monsenhor Magliano" e da
Etec "Paulo Ornellas Carvalho de Barros".
O Garça Futebol Clube
(1965-2004) enfrentou 18 vezes o Noroeste de Bauru. O Garça ganhou
7, 6 empates e 5 vitórias do alvirrubro bauruense. Já quando
disputou como Garça Esporte Clube na fase mais antiga (1950-1960)
foram 9 jogos, 3 vitórias do esquadrão garcense, 2 empates e 4
vitórias do Norusca.
O grande rival é o
Marília Atlético Clube (MAC) com o registro de 25 confrontos contra
o Garça Futebol Clube que conseguiu 3 vitórias, 11 empates e 11
vitórias do esquadrão maqueano. Já na formação Garça Esporte
Clube são 12 jogos: 4 vitórias do time garcense, 2 empates e 6
vitórias do MAC. Mas se somar tudo são 37 jogos que os dois times
mediram forças: 7 vitórias do Garça, 13 empates e 17 vitórias do
Marília. Os jogos eram clássicos regionais que lotavam os estádios
com rivalidade comparada a Palmeiras x Corinthians.
O Garça começou a
disputar os campeonatos de acesso em 1950, quando terminou em 9º
lugar com 17 pontos. Naquele ano o campeão foi a Linense e o vice o
São Bento de Marília, que está desativado. Nessa competição o
Azulão enfrentou também o Noroeste e o Bauru Atlético Clube, onde
Pelé iniciou a sua carreira como jogador.
O livro tem 600 páginas
e pesquisa desenvolvida na sede do Jornal "Comarca de Garça",
nos arquivos dos jornais "O Palanque" e "Correio de
Garça", em arquivos particulares do pesquisador e contou com a
colaboração de parentes de jogadores.
Luiz Mauricio Teck de Barros (Foto: Divulgação)

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