Na parede do salão havia duas fotos, uma do Corinthians de Presidente Prudente e do Clube
Atlético Ourinhense (CAO). Os dois times nem mais disputam o futebol
profissional. Quem passava pela avenida Altino Arantes no cruzamento da
Monsenhor Cordova, em Ourinhos, nem desconfiava que o barbeiro João
Alberto de Carvalho foi boleiro dos bons. É conhecido por
Robertinho, inclusive o salão levou o mesmo nome, batizado nas quatro
linhas. O estabelecimento não existe mais e foi fechado.
A carreira
futebolística de Robertinho começou em Avaré no antigo São Paulo, depois passou
pela Ipauçuense, Cambaraense, Clube Atlético Ourinhense,
Corinthians de Presidente Prudente, entre outros clubes interioranos.
No Paraná foi campeão
do centenário pela Cambaraense, no São Paulo de Avaré ergueu a
taça do quadrangular oeste da série B (divisão de acesso) e o
título, de 1959, que garantiu a primeira divisão ao antigo
Corinthians de Prudente e direito a enfrentar os times grandes da
capital.
A memória de
Ricardinho já não é tão boa. Ele tem dificuldades de lembrar de
suas participações no Ourinhense, o vermelhinho que, inclusive,
tinha o estádio da baixada. O clube na atualidade enfrenta grave
crise financeira e está ameaçado de perder a sede social devido a
dívidas previdenciárias e trabalhistas.
O Corinthians de
Presidente Prudente nem existe mais. Robertinho lembra de Décio
Mendonça, outro grande jogador da Esportiva Santacruzense, que
brilhou na Prudentina, rival do alvinegro mosqueteiro. “Na verdade
quem ia para a Prudentina no lugar do Décio era eu, mas a
contratação não deu certo”, lembra Robertinho. Sobre Décio
Mendonça, o ex-boleiro diz que era “um jogador completo, forte,
inteligente e bom armador”.
Robertinho veio de
Avaré para Ourinhos, a convite do irmão Oscar, que jogava no
Operário. Naquela época, a paixão futebolística dividia a cidade
em dois times: para baixo da estação o alvinegro Operário e, para
cima, o Ourinhense, conhecido por “vermelhinho” por causa do
uniforme.
Os dois clubes se
degladiaram na fase amadora e tiveram curta temporada no futebol
profissional.
O Clube Atlético
Ourinhense disputou seis temporadas pela antiga 3ª divisão, entre
1961 a 1966, além de participação na segunda divisão em 1952. O
maior rival da cidade, o Operário, disputou em 1954 e 1958 a
terceira divisão profissional. O vermelhinho foi fundado em 5 de
junho de 1919. Em 1967 se inscreveu para disputar a 3ª divisão, mas
desistiu. Na época o CAO era rival à altura da Santacruzense e do
Piraju, ambos campeões da terceira divisão.
Robertinho não se
esquece que o Corinthians enfrentou o time de Pelé. “O rei jogava
muita bola. Ela fazia uma jogada de efeito, chutando no pé do
adversário e completando a jogada. Fez isso no zagueiro Cotia”,
lembra o ex-atacante do vermelhinho.
O pai de Pelé,
Dondinho, também foi um jogador até bom para os padrões da época.
Ricardinho não esquece que chegou a jogar contra Dondinho.
Na carteira amarelada,
escrita a bico de pena do Sindicato dos Atletas de Futebol
Profissional, consta os contratos de Robertinho por vários clubes do
interior paulista.
A fase áurea foi no
Corinthians, time que goleou o Bragantinho por 4 a 1 e ganhou o
acesso à divisão especial em 8 de março de 1960. O título valia
pelo ano de 1959 e garantiu acesso à divisão especial.
Durou um ano de
temporada entre os grandes, o alvinegro não fez uma grande campanha,
terminando em 17º colocado e voltando depois à segunda divisão. O
alvinegro mosqueteiro disputou a divisão de acesso desde 1948. Parou
em 1975 e deu lugar ao Presidente Prudente, ainda voltou em 1976 até
parar as atividades. Atualmente, em Presidente Prudente, o time que disputa a Série B (quarta divisão) leva nome da cidade.
Pelo acervo de fotos,
Robertinho era ídolo em Presidente Prudente. A sua passagem pelo
Ourinhense é pouco documentada em fotos. “Naquela época não
tinha tanta facilidade para tirar fotografia”, justifica.
A profissão de
barbeiro foi uma atividade que Robertinho acumulou junto com o mundo
do futebol. “Essa cadeira e esses móveis eu ganhei com o pagamento
de luvas do tempo do Ourinhense”.
Após a aposentadoria,
Ricardo confessa que não gosta mais de assistir jogos de futebol.
Prefere viver só da recordação. A sua trajetória está guardada
num acervo de fotos preto em branco, embrulhada com jornal e anexada
com recortes da antiga Gazeta Esportiva, Diário da Noite e jornais
de Presidente Prudente e Ourinhos.
Ricardinho teve salão de barbeiro em Ourinhos. (Foto: Jornal Debate)
terça-feira, 29 de março de 2016
Assis tem dois time na quarta divisão
Segundo o Almanaque do Futebol, em 1953 a FPF criou uma determinação que exigia um mínimo de 50 mil pessoas na cidade para que um time disputasse a 2ª divisão. Várias equipes do interior acabaram sumariamente rebaixadas.
A Ferroviária ainda disputou em 1944, 1946 e 1947 a terceira divisão. Conseguiu o acesso à segunda divisão em 1958 e permaneceu até 1959, mas em 1960 é rebaixada à 3ª divisão e permanece até 1967 e se afasta da competição de 1968 até 1975. Ainda conseguiria disputar a terceira divisão em 1976, mas depois suspendeu novamente as atividades.
O São Paulo de Assis Futebol Clube também tentou ser representante da cidade na divisão de acesso. O tricolor disputou a terceirona em 1962, 1963 e 1964, suspendeu as atividades e voltou disputou em 1980 até parar em definitivo.
A Vila Operária Clube Esporte Mariano (Vocem) foi fundado a 21 de julho de 1954, mas a partir de 1978 disputou a 5ª divisão do futebol profissional. A melhor campanha foi na divisão de acesso de 1984, quando chegou ao quadrangular final da divisão de acesso.Com um time forte, orientado pelo técnico Valter Zaparolli, chegou muito próximo da elite do futebol paulista. Naquele ano, pelo quadrangular final da competição, enfrentou uma das duas vagas ao Paulistão de 1985 contra Paulista de Jundiaí, Noroeste de Bauru e União Barbarense, mas terminou como 4º colocado.
De 1972 a 1989 o esquadrão grená conseguiu permaneceu na segunda divisão, depois suspendeu as atividades em 1990 e 1991 e retornou a 3ª divisão em 1992 e 1993 e caiu para a 4ª divisão em 1994. Ficou mais quatro anos afastado e disputou a 5ª divisão em 1999.
Em 2014, após 12 anos de ausência, o Vocem retornou ao profissionalismo para a disputa da quarta divisão, mas conta com um rival na cidade: a Assisense.
Uma curiosidade na fundação do Vocem é a origem bastante inusitada. O time foi fundado pelo padre Aloísio Bellini,.pároco da tradicional Vila Operária. O objetivo do clérigo foi de incentivar os jovens da época a seguir os caminhos da igreja. Surgia assim, em 21 de julho de 1954, o “Marianinho”, importante agremiação do futebol amador que posteriormente daria origem ao Vocem (iniciais de Vila Operária Clube Esporte Mariano), conforme consta no histórico do clube divulgado na Wikipédia. "O branco e o bordô foram escolhidos como cores oficiais por representarem o pão e o vinho, ou seja, o corpo e o sangue de Cristo, ou resumindo, o vinho de missa e a hóstia da comunhão. Já o distintivo ganhou inscrições em latim com as frases 'Audite Vocem Domini' e “Non ducor duco”, que significam respectivamente 'Ouviste a voz do Senhor' e 'Não sou conduzido, conduzo'", relata no histórico do Vocem.
O rival na cidade é o Clube Atlético Assisense fundado em 27 de março de 1995, cujo mascote é o “Falcão do Vale”. Segundo o resumo do histórico fornecido pelo clube no site da FPF, a escolha do falcão se deve ao fato de esta ave ser forte, robusta. Para torcedores e dirigentes, ela tem o poder de transmitir aos jogadores características positivas. Aos poucos, a mascote caiu no gosto do torcedor. Naturalmente, acabou se fixando e se tornando popular. A designação “do Vale” se deve à localização da cidade, uma das mais importantes do Vale do Paranapanema.

Melhor campanha em 1982 quando Vocem foi campeão da intermediária (Acervo Lucas Coelho do site Assisnoticias.com)
segunda-feira, 28 de março de 2016
XV tenta se levantar na Série B2
O XV de Novembro,
famoso "Galo da Comarca", voltou ao futebol profissional
após um passado de glórias com grandes fases e períodos de queda de divisão. Afastado da Série B em 2015, com uma dívida
contabilizada de cerca de R$ 8,3 milhões, o time disputou a
quarta divisão (Série B) em 2016, mas não conseguiu o acesso à Serie A-3. Os números da dívida foram
divulgados em 2015. A diretoria decidiu agir com
transparência absoluta ao mostrar as planilhas de quanto o clube
deve. O levantamento é a realidade do futebol brasileiro muitas vezes escondidas de seus torcedores.
No total, são mais de
R$ 8,3 milhões referentes a dívidas judicializadas - processos
trabalhistas, cíveis, fazendários, impostos devidos - como Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), taxas junto a federações e entidades Federação Paulista de Futebol (FPF) e Confederação Brasileira de Futebol (CBF), contas não
pagas de gestões desde 2012 e até empréstimos de ex-presidentes.
Fundado em 15 de
novembro de 1924, o XV de Jaú frequentou a elite do Campeonato
Paulista por 26 vezes, a última em 1996. Dono do estádio Zezinho
Magalhães, o XV de Jaú atuou de forma oficial pela última vez no
dia 8 de junho de 2014, na derrota por 3 a 1 para o Taquaritinga, em
sua despedida da quarta divisão daquele ano.
As cores de sua camisa
são uma homenagem à Proclamação da República. As cores que o
clube ostenta, verde e amarela, também fazem alusão às cores da
Bandeira Brasileira.
De acordo com o site do
clube, com a instituição da Lei do Acesso em 1948, o XV de Jaú
chegou à elite do futebol paulista em 1951, após uma decisão
contra o Linense no Pacaembu. Para chegar à 1ª divisão, a
Federação Paulista instituiu uma disputa de melhor de três jogos
entre o campeão da divisão de acesso e o último colocado da elite,
no caso, o Jabaquara, de Santos. Se o XV de Jaú saísse vitorioso ao final da
disputa, conquistaria o acesso. Venceu o primeiro por 5 x 1 em Jaú e
perdeu o segundo jogo por 2 x 0 em Santos. O terceiro jogo aconteceu na
cidade de Campinas, no estádio Moisés Lucarelli. O Galo da Comarca
venceu por 1 a 0, gol de Guanxuma. O XV permaneceu na 1ª Divisão
até 1959.
O Galo da Comarca
começou a disputar a segunda divisão de 1948 a 1951, depois
permaneceu por nove anos na primeira divisão até ser rebaixado para
a segunda em 1960 até 1967.
O clube entrou em crise
e ficou afastado de 1958 a 1964. Retorna em 1975 para a segundona,
permanece em 76 e sobe para a primeirona no ano de 1977, onde
permanece até 1993. Depois cai para a segundona em 1994 e permanece
até 1995. O Galo da Comarca consegue a ascensão à primeira divisão
em 1996, mas no ano seguinte sofre novo revés retornando a segundona e de 1996 a 2000
cai para a terceira divisão.
Nestes altos e baixos,
em 2012 o time de Jaú foi rebaixado para a quarta divisão paulista.
No ano de 2015 pediu um ano de licença para colocar a casa em dia e
enxugar os gastos.
Na tarde de 22 de janeiro de 2016, o Esporte Clube XV de Novembro de Jaú sacramentou
parceria após meses de negociações com a empresa UrbanizeMais, da cidade de Bauru. As negociações
foram feitas através da diretoria do clube jauense com o empresário
Fábio Martins. O ex-jogador Baroninho (ex-Palmeiras) foi o treinador da agremiação.
Estádio Zezinho Magalhães lotado em jogo de 1977 (Foto: Acervo do Site do XV de Jaú)
Estádio Zezinho Magalhães lotado em jogo de 1977 (Foto: Acervo do Site do XV de Jaú)
Veja uma entrevista com Baroninho no site do XV de Jaú.
https://www.youtube.com/watch?v=0HsPQb3vwl8&feature=youtu.be Entrevista com Baroninho
https://www.youtube.com/watch?v=0HsPQb3vwl8&feature=youtu.be Entrevista com Baroninho
quinta-feira, 24 de março de 2016
Olímpico de Ourinhos perdeu chance de fazer história na divisão de acesso
O modesto Esporte Clube
Olímpico deixou de fazer história como um dos pioneiros na divisão
de acesso do Interior. No ano que vem a competição patrocinada pela
Federação Paulista de Futebol vai completar 70 anos da existência.
O primeiro campeão foi o XV de Piracicaba.
De acordo com o
Almanaque do Futebol Paulista, quando foi criada a divisão de acesso
poucas equipes foram convidadas para disputar o torneio, mas o
Esporte Clube Olímpico pela sua importância como clube amador
filiado na Federação recebeu o convite, mas a diretoria desistiu
antes do campeonato começar. O Azulão da Vila Perino de Ourinhos
nunca ingressou no futebol profissional. Só disputou os campeonatos
amadores do município.
O pioneiro clube a
ingressar na segunda divisão do município foi o Clube Atlético
Ourinhense no ano de 1952 e depois teve mais sete participações na
terceira divisão nos anos de 1961, 1962, 1963, 1964, 1965, 1966 e
1967, quando desativou seu departamento de futebol profissional.
O clube optou por
investir no seu clube social com piscinas e quadras por considerar o
futebol um investimento muito alto e que gerava prejuízos.
Mas o "Vermelhinho",
como é conhecido nos tempos atuais, está com a sede penhorada por
causa de dívidas e não tem mais a força do passado.
O maior rival Esporte
Clube Operário disputou os campeonatos de 1954 e 1958 da terceira
divisão. Também está extinto. O que sobrou é um terreno em frente
ao Centro Cultural de Ourinhos, na região do Terminal Rodoviário.
Em 1978, o União da
Barra Funda de Ourinhos tentou fazer história ao ingressar na 5ª
divisão. Durou um ano, se licenciou em 1979, o que motivou o
Esporte Clube Gazeta do mesmo bairro a criar departamento
profissional e disputar a 5ª divisão em 1979 e depois a terceira
divisão em 1980, 1981 e 1982, quando pediu afastamento da FPF. Ainda
o alvinegro tentaria voltar aos campos em 2000 na 5ª divisão, mas
posteriormente preferiu se afastar das competições da terceirona. O
Gazeta também enfrentou problemas financeiros e nem tem mais sua
sede social.
Uma foto do time juvenil do Esporte Olímpico (Foto acervo: José Luiz Martins)
Uma foto do time juvenil do Esporte Olímpico (Foto acervo: José Luiz Martins)
terça-feira, 22 de março de 2016
Rio Branco de Ibitinga tem título da 3ª divisão em 70
A campanha de 1970 é a mais marcante. Só perdeu uma partida para o Neves Paulista. A final foi contra Sertãozinho no antigo estádio da Fonte Luminosa, em Araraquara, pertencente a Ferroviária, quando venceu o adversário por 2 a 0. Os gols foram de Nascimento, aos 40 minutos do 1º tempo, e Tuta aos 24 minutos do 2º tempo.
O time foi fundado em 1926 com o nome de Rio Branco Futebol Clube, e reorganizado em 30 de março de 1946, quando recebe a denominação atual. As cores são preto e branco.Antes de ingressar no profissionalismo conquistou o título do Campeonato de Futebol Amador do Interior, em 1950, através do América Esporte Clube. Outra equipe colorada da cidade foi o Americano Esporte Clube, que participou de apenas um campeonato profissional estadual, em 1977, sem muita expressão.
A partir de 1967, o Esporte Clube Rio Branco conquistou o campeão da Terceira Divisão estadual (atual A-3), em 1970, e, no total, teve 18 participações no difícil Campeonato Paulista de Futebol, marca que permanecerá imbatível por muito tempo na história de Ibitinga.
Em 1971, passou a disputar a divisão de acesso para a elite do futebol paulista (atual A-2), mas, como não obteve grande sucesso, parou. Em 1976, retorna aos gramados profissionais, novamente na Terceira Divisão, e ficou por mais 12 temporadas nos campeonatos da Federação Paulista de Futebol, segundo a wikipédia.
Goleiro Waldir Peres foi principal revelação do Garça
O Garça Futebol Clube revelou o goleiro Waldir Peres, que foi ídolo do São Paulo de 1973 a 1984 e da Seleção Brasileira em três Copas do Mundo (1974, 1978 e 1982). Foi titular na Copa do Mundo de 1982, na Espanha, onde era um dos destaques de um time de craques que contava com Zico, Sócrates, Falcão e Oscar.
Peres é filho de ferroviário da antiga Companhia Paulista e residiu em Garça. Ele começou jogando em time amador e depois ingressou no Garça, a partir de 1968 até ser titular no time principal. O título máximo garcense é o de 1969 na segunda divisão com Waldir Peres como titular. No ano seguinte ele foi para a Ponte Preta e 12 meses depois foi transferido para o São Paulo.
Quem relata a trajetória do Azulão da Alta Paulista é Wanderley Marcos Cassolla, o Tico, funcionário de carreira do INSS e ex-centroavante da equipe entre 1976 e 1977. Ele coleciona fotos antigas de várias fases do clube.
O Garça é resultado da fusão com o Bandeirantes, que disputou a Terceira Divisão, em 1956 e 1958, e é um clube extinto. Mas ao longo da trajetória o Garça trocou o nome para Garça Esporte Clube quando ingressou na segunda divisão em 1950, depois voltou a denominação Garça Futebol Clube. A fase profissional mais próspero é o Garça refundado em 15 de fevereiro de 1965.
O único título da história do Garça: campeão da terceira divisão no ano de 1969. A fase final foi no sistema de jogos de ida e volta contra Rio Branco de Ibitinga, Rio Claro e Garça.
Segundo Cassolla, o Garça superou todos os adversários. O confronto decisivo foi contra Rio Claro com o Garça vencendo por 3 a 1. Só que a Federação Paulista se viu diante de um novo “imbróglio”, quando o Rio Branco entrou com recurso e “melou” o campeonato. Depois de muitas “idas e vindas” o Garça teve que enfrentar o Rio Branco, num único jogo em campo neutro: no Estádio Alfredo de Castilho, em Bauru, no dia 18 de janeiro de 1970. O Garça venceu numa partida dramática por 1 a 0, gol do atacante Rogerinho, aos 36 minutos da etapa final.
As equipes que participaram da Segunda Divisão em 1969: AA Mercedes-Benz de São Bernardo dos Campos, AA São Bento de Marília, AA Sãomanoelense de São Manuel, AE Santacruzense de Santa Cruz do Rio Pardo, Amparo AC, Aparecida EC de Aparecida do Norte, CA Nevense (Neves Paulista), CA Penapolense de Penápolis, CA Pirassununguense de Pirassununga, Derac de Itapetininga, EC Lemense de Leme, EC Municipal de Paraguaçu Paulista, EC Rio Branco de Ibitinga, Estrela EC de Piquete, Garça FC de Garça, Guarani FC de Adamantina, Olímpia FC, Palmital AC, Rio Claro FC, Santa Fé e Tupã FC.
Fase Final
28 de outubro de 1969
Garça 3 x 0 Rio Branco de Ibitinga
11 de outubro de 1969
Rio Claro 1 x 2 Garça
18 de novembro de 1969
Rio Branco 2 x 1 Garça
2 de dezembro
Garça 3 x 1 Rio Claro
O Rio Branco de Ibitinga não concordou com o regulamento da competição e a Federação Paulista de Futebol (FPF) marcou um jogo final em Bauru no dia 18 de janeiro de 1970, quando o Garça ganhou de 1 a 0 do Rio Branco de Ibitinga.
Dados são do livro "Trajetória do Futebol Profissional do Garça 1950 a 2004" de autoria de Luiz Maurício Teck de Barros
O Azulão da Alta Paulista parou por problemas financeiros no final de 2004, depois de um vice-campeonato na Série B1.

Em pé: Plínio Dias, Ari Lima, Tuta, Waldir Perez, Pedroso e Dadi; agachados: Toninho Bodini, Rogerinho, Zé Carlos Coelho, Osmar Silvestre e Davi. (Foto cedida do arquivo de Wanderley Tico Marcos Cassola)

Estádio Frederico Platzeck (Foto cedida do arquivo de Wanderley Tico Marcos Cassola)

Time do Garça vice-campeã da Série A-3 de 2000. Em pé da esq. para a direita: Marcelo (mordomo), Luciano. Erasmo, Júlio Cézar, Beto, Daniel e Júlio César (preparador físico). Agachados: Celsinho, Mauro César, Vital, Chokito, Webster e Santos.
Peres é filho de ferroviário da antiga Companhia Paulista e residiu em Garça. Ele começou jogando em time amador e depois ingressou no Garça, a partir de 1968 até ser titular no time principal. O título máximo garcense é o de 1969 na segunda divisão com Waldir Peres como titular. No ano seguinte ele foi para a Ponte Preta e 12 meses depois foi transferido para o São Paulo.
Quem relata a trajetória do Azulão da Alta Paulista é Wanderley Marcos Cassolla, o Tico, funcionário de carreira do INSS e ex-centroavante da equipe entre 1976 e 1977. Ele coleciona fotos antigas de várias fases do clube.
O Garça é resultado da fusão com o Bandeirantes, que disputou a Terceira Divisão, em 1956 e 1958, e é um clube extinto. Mas ao longo da trajetória o Garça trocou o nome para Garça Esporte Clube quando ingressou na segunda divisão em 1950, depois voltou a denominação Garça Futebol Clube. A fase profissional mais próspero é o Garça refundado em 15 de fevereiro de 1965.
O único título da história do Garça: campeão da terceira divisão no ano de 1969. A fase final foi no sistema de jogos de ida e volta contra Rio Branco de Ibitinga, Rio Claro e Garça.
Segundo Cassolla, o Garça superou todos os adversários. O confronto decisivo foi contra Rio Claro com o Garça vencendo por 3 a 1. Só que a Federação Paulista se viu diante de um novo “imbróglio”, quando o Rio Branco entrou com recurso e “melou” o campeonato. Depois de muitas “idas e vindas” o Garça teve que enfrentar o Rio Branco, num único jogo em campo neutro: no Estádio Alfredo de Castilho, em Bauru, no dia 18 de janeiro de 1970. O Garça venceu numa partida dramática por 1 a 0, gol do atacante Rogerinho, aos 36 minutos da etapa final.
As equipes que participaram da Segunda Divisão em 1969: AA Mercedes-Benz de São Bernardo dos Campos, AA São Bento de Marília, AA Sãomanoelense de São Manuel, AE Santacruzense de Santa Cruz do Rio Pardo, Amparo AC, Aparecida EC de Aparecida do Norte, CA Nevense (Neves Paulista), CA Penapolense de Penápolis, CA Pirassununguense de Pirassununga, Derac de Itapetininga, EC Lemense de Leme, EC Municipal de Paraguaçu Paulista, EC Rio Branco de Ibitinga, Estrela EC de Piquete, Garça FC de Garça, Guarani FC de Adamantina, Olímpia FC, Palmital AC, Rio Claro FC, Santa Fé e Tupã FC.
Fase Final
28 de outubro de 1969
Garça 3 x 0 Rio Branco de Ibitinga
11 de outubro de 1969
Rio Claro 1 x 2 Garça
18 de novembro de 1969
Rio Branco 2 x 1 Garça
2 de dezembro
Garça 3 x 1 Rio Claro
O Rio Branco de Ibitinga não concordou com o regulamento da competição e a Federação Paulista de Futebol (FPF) marcou um jogo final em Bauru no dia 18 de janeiro de 1970, quando o Garça ganhou de 1 a 0 do Rio Branco de Ibitinga.
Dados são do livro "Trajetória do Futebol Profissional do Garça 1950 a 2004" de autoria de Luiz Maurício Teck de Barros
O Azulão da Alta Paulista parou por problemas financeiros no final de 2004, depois de um vice-campeonato na Série B1.

Em pé: Plínio Dias, Ari Lima, Tuta, Waldir Perez, Pedroso e Dadi; agachados: Toninho Bodini, Rogerinho, Zé Carlos Coelho, Osmar Silvestre e Davi. (Foto cedida do arquivo de Wanderley Tico Marcos Cassola)

Estádio Frederico Platzeck (Foto cedida do arquivo de Wanderley Tico Marcos Cassola)

Time do Garça vice-campeã da Série A-3 de 2000. Em pé da esq. para a direita: Marcelo (mordomo), Luciano. Erasmo, Júlio Cézar, Beto, Daniel e Júlio César (preparador físico). Agachados: Celsinho, Mauro César, Vital, Chokito, Webster e Santos.
Livro conta a
trajetória do Garça
O Garça Futebol Clube
foi um dos clubes mais atuantes nas divisões intermediárias do
futebol paulista com um título da segundona de 1969 em final
realizada em Bauru, no estádio Alfredo de Castilho quando bateu o
Rio Branco de Ibitinga por 1 a 0. O goleiro Valdir Peres foi revelado
neste clube, antes de ser ídolo no São Paulo e na Seleção
Brasileira. O livro "Trajetória do Futebol Profissional do
Garça: 1950 a 2004" do professor Luiz Maurício Teck de Barros
é uma pesquisa histórica sobre os 41 campeonatos paulistas
disputadas pelas duas equipes do município de Garça no
profissionalismo.
O clube foi fundado em
1932 como o nome de Garça Futebol Clube, mas em 1942 se uniu ao
Bandeirantes Futebol Clube dando origem ao Clube Atlético Brasil. Um
ano depois houve nova mudança, quando a equipe passou a chamar Garça
Esporte Clube. No ano de 1965, segundo o Almanaque do Futebol
Paulista de 2001, o clube adotou a denominação Garça Futebol
Clube.
Barros conta na
publicação que, em 1928, o clube chamava-se Comercial Futebol
Clube. O primeiro campo era localizado no patrimônio de
Labienópolis, mas os vizinhos exigiram o despejo. A agremiação
teve que se transferir para a Vila Vicentina, onde ficou até 1932,
depois no ano seguinte consegue criar o estádio Willians.
A novidade no livro são
estatísticas inéditas do Garça contra 201 adversários. Barros
pesquisou em jornais do próprio município para compor os
resultados, gols marcados, gols sofridos, os maiores artilheiros, as
maiores goleadas conquistadas e sofridas.
Há o time do Garça de
todos os tempos na opinião da torcida, a carreira do goleiro Valdir
Peres no Azulão e biografias como a do capitão Plínio Dias.
O professor contou ao
JC que existe uma dificuldade para conseguir dados. A Federação
Paulista de Futebol (FPF), por exemplo, não libera as estatísticas
das competições e nem disponibiliza todos os resultados em seu
site.
Barros é professor de
sociologia e geografia da Etec"Monsenhor Magliano" e da
Etec "Paulo Ornellas Carvalho de Barros".
O Garça Futebol Clube
(1965-2004) enfrentou 18 vezes o Noroeste de Bauru. O Garça ganhou
7, 6 empates e 5 vitórias do alvirrubro bauruense. Já quando
disputou como Garça Esporte Clube na fase mais antiga (1950-1960)
foram 9 jogos, 3 vitórias do esquadrão garcense, 2 empates e 4
vitórias do Norusca.
O grande rival é o
Marília Atlético Clube (MAC) com o registro de 25 confrontos contra
o Garça Futebol Clube que conseguiu 3 vitórias, 11 empates e 11
vitórias do esquadrão maqueano. Já na formação Garça Esporte
Clube são 12 jogos: 4 vitórias do time garcense, 2 empates e 6
vitórias do MAC. Mas se somar tudo são 37 jogos que os dois times
mediram forças: 7 vitórias do Garça, 13 empates e 17 vitórias do
Marília. Os jogos eram clássicos regionais que lotavam os estádios
com rivalidade comparada a Palmeiras x Corinthians.
O Garça começou a
disputar os campeonatos de acesso em 1950, quando terminou em 9º
lugar com 17 pontos. Naquele ano o campeão foi a Linense e o vice o
São Bento de Marília, que está desativado. Nessa competição o
Azulão enfrentou também o Noroeste e o Bauru Atlético Clube, onde
Pelé iniciou a sua carreira como jogador.
O livro tem 600 páginas
e pesquisa desenvolvida na sede do Jornal "Comarca de Garça",
nos arquivos dos jornais "O Palanque" e "Correio de
Garça", em arquivos particulares do pesquisador e contou com a
colaboração de parentes de jogadores.
Luiz Mauricio Teck de Barros (Foto: Divulgação)
Didi jogou em Lençóis com pai de radialista
O famoso Didi, antes de ser bicampeão mundial jogou nos campos de Lençóis Paulista. “O Príncipe Etíope do Rancho” era seu apelido, dado por Nelson Rodrigues a um dos maiores médios volantes de todos os tempos.
Ele foi o criador da “folha seca”, técnica que consistia em bater na bola, com o lado externo do pé, de modo a fazê-la girar sobre si mesma e modificar sua trajetória. Esse efeito inesperado era semelhante ao de uma folha caindo. E antes de ser grande craque jogou junto com Renato Bolla, pai do radialista e ex-dirigente da Associação Atlética Barra Bonita José Otávio Bolla. “Meu pai não quis seguir carreira no futebol. Didi quando saiu de Lençóis foi para o Bonsucesso. Naquela época jogar futebol não se ganhava como hoje”. O jogador atuou na Lençoense em 1946 e 1947.
Bolla relata que Didi era “aventureiro” quando apareceu em Lençóis. “Não tenho essa declaração gravada, mas quando Didi ganhou a Copa de 1958 ele deu uma entrevista e o repórter perguntou a ele quem foi o maior jogador que tinha visto. O craque respondeu: maior não sei, mas o melhor é o Renatinho de Barra Bonita”. Segundo o filho, o pai ganhou o troféu Belfort Duarte, concedido a jogadores que não são indisciplinados e nem expulsos de campo.
Didi foi campeão mundial e ídolo brasileiro (Foto: Internet/Divulgação)
Ídolo do verdão era reserva no juniores da Lençoense
Próximo ao vestiário do Estádio Archangelo Brega estão as marcas das mãos do goleiro Marcos, ex-Palmeiras e campeão do mundo, gravadas numa lápide de concreto. A homenagem foi feita durante uma partida de confraternização de final de ano que o arqueiro aceitou visitar Lençóis.
Na realidade, Marcos não atuou na equipe da Lençoense da divisão de acesso. “Ele era da categoria juniores e tinha estatura boa. Quem estava como titular era o Barata, de Agudos. Foi num amistoso em Guarulhos contra o time do Palmeiras é que o Marcos conseguiu se transferir para o time de Parque Antárctica. São coisas do futebol. Ele acabou jogando e a equipe alviverde se interessou”, conta Abade.
Na ocasião mais outros quatro jogadores do Lençoense também ficaram em São Paulo: Glauco, Marcos, Itamar e Lê, de Barra Bonita.
Há uma história de que o passe do Marcos foi trocado por um lote de material esportivo. “Realmente o material esportivo veio para cá, mas não foi essa a negociação. A história acabou ficando. Ela é até legal para justificar a transferência”, cita o ex-centroavante da Lençoense.
Lençoense faturou título de 1983
O auge da Lençoense é na década de 80. O clube atualmente existe no papel, mas está licenciado da FPF. Por divergências políticas, a equipe mudou em 2009 para Bariri e disputou a série B de 2010 como CAL Bariri, porém se licenciou novamente. O alvinegro também é conhecido por revelar o goleiro Marcos, ídolo do Palmeiras, que atuava no juniores do alvinegro.
O ex-centroavante Cláudio Abade foi o artilheiro com 24 gols na competição da terceira divisão de 1983 e autor do tento que garantiu a vitória em cima da Jalesense por 1 a 0 na final, no estádio Archangelo Brega. No primeiro jogo, em Jales, empatou 0 a 0. A equipe foi dirigida por Dirceu de Oliveira, ex-jogador e cidadão de Macatuba já falecido.
“O time era bom, entrosado, formado em menos de dois meses. Deu tudo certo naquela ocasião”, recorda o ex-jogador Cláudio Abade, nas dependências da Liga Lençoense de Futebol numa sala cheia de fotos na parede de times e prateleira lotada de troféus.
A fama da Lençoense extrapola o município. “Na época onde dava mais público e renda no estádio na terceira divisão era jogos em Lençóis Paulista, isso está documentado na Federação. Até hoje é assim. Em jogos de campeonato amador sempre está lotado”, lembra Abade, que jogou no Noroeste, Sertãozinho, Pinheiros, Juventude, Vila Nova de Goiás etc.
Ele, por exemplo, ganhou um prêmio do jornal “A Gazeta Esportiva” por marcar o milésimo gol da terceira divisão em 1986 jogando pelo Sertãozinho.
Ele, por exemplo, ganhou um prêmio do jornal “A Gazeta Esportiva” por marcar o milésimo gol da terceira divisão em 1986 jogando pelo Sertãozinho.
Segundo Abade, os maiores rivais foram Sãomanoelense, Barra Bonita, Noroeste e clubes da região. A Lençoense tem ainda no currículo um vice-campeonato em 1999, quando foi derrotado na final por 1 a 0 pelo Flamengo de Guarulhos.
No ano passado, o ex-jogador Baroninho procurou Ababe interessado em reativar o Lençoense, mas acabou optando pelo XV de Jaú, que retorna à Série B do Campeonato Paulista, após um ano afastado. Atualmente o presidente da Lençoense é João Sergio de Moraes.
Cláudio Abade autor do gol do título para a Lençoense (Foto: Samantha Ciuffa/JC Bauru)Estádio Archangelo Brega onde o Lençoense recebia os visitantes (Foto: Samantha Ciuffa/JC Bauru)
Botafogo de Barra Bonita tentou uma temporada no futebol profissional em 1983
O Botafogo de Barra
Bonita só disputou uma temporada no futebol profissional em 1986,
mas a equipe sempre foi uma grande rival nas competições amadoras
da Associação Atlética Barra Bonita.
O radialista José
Otávio Bolla conta que o ingresso da AABB no profissionalismo em
1977 ocorreu, porque um ano antes o rival conquistou o título de
campeão amador do Estado. O atual secretário de Esporte de Barra
Bonita, Luiz Alberto Sescato, foi treinador do Botafogo quando
disputou a competição de 1983. “O Nabi Abi Chedid naquele ano
incentivou a participação de muitas equipes nas categorias
profissionais e isso beneficiou o Botafogo a disputar na ocasião.
Praticamente não se cobrou nenhuma taxa e foi um campeonato curto
que agradou a todo mundo”, conta Sescatto,
O pai dele, Adalberto
Sescatto ex-jogador e ex-presidente do XV de Jaú, ajudou na fundação
do Botafogo em 1968 quando a família mudou-se para Barra Bonita. “Na
fase amadora, o Botafogo conquistou sete títulos regionais e quatro
vezes de Jogos Regionais representando a cidade. Temos estádio e
escolinha de base. O Claudecir que jogou no Noroeste passou por
aqui”, conta Sescatto.
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